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Um olhar sobre nós na voz dos nossos parceiros - Electricidade dos Açores, S.A., pela voz de Francisco Botelho.

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"... sinto-me com motivação e ambição para continuar a ajudar a instituição a crescer e a afirmar-se como uma referência internacional.", Luís Seca

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"Era uma vez uma criança que teve a sorte de ter um tio que lhe explicou como os foguetões escapavam à força da gravidade deitando fora os tanques de combustível vazios para ficarem mais leves...", Abílio Pacheco

Asneira Livre

"I know that INESC Porto offers great competencies and facilities in OFS. This means that we can develop the best sensor configurations and interrogation techniques for the sensing platforms.", Mohammad Zibaii

Galeria do Insólito

Difíceis tempos estes que vivemos, onde até dos pés nos vemos à rasca. Que o diga Joana Esperança, uma jovem desconhecida que viu no INESC Porto a salvação para as suas aflições.

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BIP tira Raio X a colaboradores do INESC Porto...

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O INESC Porto recebeu no último mês 17 novos colaboradores. Conheça os seus rostos...

Jobs 4 the Boys & Girls

Referência a anúncios publicados pelo INESC Porto, oferecendo bolsas, contratos de trabalho e outras oportunidades do mesmo género...

Biptoon

Mais cenas de como bamos indo porreiros...

 

INESC Porto a seus pés

Setor do calçado mais competitivo e inovador com apoio do INESC Porto

“Dinâmicas de Inovação do Setor Português do Calçado” é o título do estudo que a Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) encomendou ao INESC Porto e onde se concluiu que a inovação é um eixo estratégico da indústria do calçado que, face às necessidades do mercado, conseguiu reinventar-se, tornando-se menos tradicional e mais inovadora. Este caráter diferenciador que a indústria do calçado tem vindo a consolidar ao longo dos anos contou com o apoio do INESC Porto. O BIP revisita agora alguns dos projetos com cunho do INESC Porto que colocaram o Portugal no mapa da elite mundial do calçado.

A inovação como caráter diferenciador

A partir da década de 90, com a pressão competitiva exercida pelos mercados asiáticos emergentes, classificados por uma mão de obra mais barata, o prenúncio da dispersão de empresas estrangeiras com unidades produtivas em Portugal para países com menores custos de produção, e as alterações drásticas nos padrões de consumo conduziram ao esgotamento de um posicionamento tradicional altamente focalizado na etapa de produção.

Especial 1 Especial 2

Perante este cenário que parecia desolador para o setor em Portugal, as empresas portuguesas na área do calçado assumiram os desafios da “diferenciação e valorização do produto” e consolidação da aposta na “via tecnológica”, revela o estudo levado a cabo pela Unidade de Inovação e Transferência de Tecnologia (UITT) do INESC Porto.

Reforçando a sua base produtiva, a indústria foi capaz de se adaptar às novas exigências do mercado, investindo sempre numa estreita cooperação entre parceiros de I&D. Assim, as empresas de calçado passaram de uma cultura de produção para uma cultura de design e marketing. E é aqui que reside a sua diferenciação. Com isto, o calçado português aposta numa produção flexível e com resposta rápida, por oposição a modelos de produção em larga escala. Ao conseguir adaptar-se, e assim reinventar-se, a indústria portuguesa do calçado assume-se como inovadora.

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Respostas às exigências do mercado

Em parceria com Centro Tecnológico do Calçado Português (CTCP) e fornecedores de tecnologia, o INESC Porto, mais particularmente através da sua Unidade de Engenharia de Sistemas de Produção (UESP), tem vindo a desenvolver, nas últimas duas décadas, métodos de organização, sistemas informáticos e equipamentos que melhor se adaptam às necessidades do setor. Mais rapidez, resposta a pequenas séries e investimento em marcas próprias eram os objetivos.

A estratégia de colaboração entre empresas utilizadoras e desenvolvedoras de tecnologia levou à criação de equipamentos e soluções que permitiram implementar estratégias que diferenciaram as empresas portuguesas do setor das estrangeiras: “Portugal é mesmo o único país europeu que exporta mais sapatos do que importa”, afirma Luís Carneiro, coordenador da UESP, tendo o trabalho de Investigação e Desenvolvimento (I&D) do INESC Porto contribuído para esta determinante capacidade competitiva.

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As pressões para a diminuição drástica da dimensão média das encomendas, a diversidade e sofisticação dos modelos e a diminuição dos prazos de entrega verificadas em vários setores industriais tornam inviável a utilização das ferramentas tradicionais de planeamento e controlo de linhas de produção, provocando um descontrolo do processo e consequente perda de produtividade. Ambos projetos nacionais, o SABE (Sistema de Apoio ao Balanceamento/Escalonamento da produção), com início em 2001, e o SIBAP (Sistema Automático de Balanceamento de Linhas de Produção), iniciado em 2010, vieram colmatar estas lacunas disponibilizando ferramentas de apoio ao balanceamento e escalonamento de linhas de produção, o que levou a um considerável aumento de produtividade através da criação de um equilíbrio eficaz entre todas as operações que se executam na linha de produção.

Produção mais rápida e flexível

Com o trabalho dos seus investigadores, o INESC Porto contribuiu para elevar o nível de flexibilidade da produção de calçado, permitindo um fabrico mais rápido e com um menor esforço de conceção. Exemplo disso é o projeto SIMULOG (Simulação e operação de sistemas de Logística interna), que teve início em 2007. Trata-se de um projeto na área de logística e simulação que permite às empresas produtoras de equipamentos identificar antecipadamente possíveis problemas e reduzir significativamente os tempos e custos de desenvolvimento e teste nas instalações das empresas clientes, aumentando desta forma a sua competitividade. Com os modelos de simulação desenvolvidos é possível testar o software de controlo mesmo antes de o sistema físico ser instalado na empresa cliente, reduzindo significativamente o custo de desenvolvimento, melhorando a qualidade e reduzindo as quebras de produção durante a fase de instalação.

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Outro exemplo de sucesso é o software Agilplan, que teve início em 2009, e que consiste num sistema de planeamento de produção de empresas de calçado. Trata-se de um sistema mais ágil que permite planear a produção em ambientes de incerteza, diferindo assim dos sistemas mais tradicionais. Concebido para as pequenas e médias empresas (PME) produtoras de calçado e de componentes da fileira do calçado, este sistema permite um desenvolvimento ágil de planos em cenários de produção por encomenda e num ambiente em que o grau de incerteza e a escassez de informação abundam, dificultando assim a tarefa das empresas no desenvolvimento de planos coerentes e atualizados.

A variedade de modelos, de materiais e o crescimento das pequenas encomendas por modelo geram crescentes dificuldades de organização, gestão e planeamento. Esta ferramenta, desenhada e desenvolvida em parceria com a empresa Oficina de Soluções, vem assim dar resposta a essas necessidades identificadas pelas empresas. Em termos genéricos, o sistema Agilplan adota uma interface "user friendly" de muito simples interação com o utilizador, recorrendo a técnicas "drag and drop" (arrastar e soltar) e de software para ajuste e replaneamento automático dos planos de produção, sempre que a situação e as novas informações assim o exijam. A comprovar este sucesso está o facto de o sistema ter sido premiado na categoria de “Software” dos “Prémios Inovação na Fileira do Calçado” em 2010.

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Uma aposta ganha

A solução ShoeID foi desenvolvida para a empresa FLY London com o objetivo de melhorar a eficiência em toda a cadeia de abastecimento. Além de otimizar os processos e ajudar a evitar perdas na cadeia logística, a solução agrega valor na loja. E como é que isso se processa? A inovação está na incorporação de um piso inteligente RFID (Radio-Frequency IDentification) que permite ao cliente experimentar um par de sapatos e ver a sua imagem projetada, em tempo real, num ecrã que o coloca de imediato num cenário interativo e virtual das movimentadas ruas de Londres, Nova Iorque ou Tóquio. Esta inovação foi a chave para a conquista do RETA Europe Awards, um prémio que trouxe bastante visibilidade e relevância para o projeto, e consequentemente para o INESC Porto.

O primeiro projeto europeu na área do calçado em que o INESC Porto participou foi o EUROShoe (software de automação em logística interna entre secções, 2003) e constituiu uma primeira experiência dos Projetos Integrados (PI) que a UE veio lançar mais tarde. Aqui, o INESC Porto desenvolveu uma importante rede de contactos. Mas foi o CEC-made-shoe (Custom, Environment and Comfort made shoe) que trouxe todo um novo nível de visibilidade para o setor. O INESC Porto participou em três sub-projetos: o PICShoe (sistema de integração e coordenação da cadeia de fornecimento com base em tecnologia workflow), Pervasive Quality Control (controlo de qualidade de produto de forma automática e em tempo real) e One-step Production Process (novo sistema de produção especialmente vocacionado para a produção de pequenas séries de calçado costumizado), tendo coordenado a WorkPackage relacionada com os Sistemas de Informação.

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O sistema One-Step constituiu um dos resultados mais significativos do projeto CEC-made-shoe, com impacto relevante na indústria. Trata-se de um projeto inovador por colocar as várias operações numa única sequência linear, ou seja, o calçado é produzido numa única etapa (corte, costura, montagem e acabamento). O One-Step é mesmo o consolidar de uma posição internacional das competências da UESP/INESC Porto de um trabalho que se iniciou com o EUROShoe. Apostando na produção de pequenas séries, evita-se a necessidade de stocks elevados, tendo o ganho de  produtividade sido superior a 15 por cento em ambientes de produção de pequenas séries. É possível produzir lotes de produção mais pequenos, aumentando a capacidade de produção, a flexibilidade e reduzindo os prazos de entrega. O CEC-made-shoe afirma-se assim como um marco para a competitividade europeia ao introduzir melhorias radicais no processo de produção e ainda a conceção de novos produtos: aqui abriu-se caminho para o calçado biodegradável, calçado inteligente (com capacidade para se adaptar às condições do ambiente) e calçado sem costuras.

O utilizador no centro da estratégia

A aposta em marcas próprias e a produção de calçado costumizado são fatores chave para o sucesso atual do calçado português e europeu. E o que nos reserva o futuro? A resposta é o desenvolvimento e fabrico de produtos que respondem às necessidades específicas dos seus utilizadores. Exemplos disso são os projetos Europeus Fit4U (Framework of Integrated Technologies for User Centered Products), que arrancou em 2009, e o CORENET (Customer-oriented and eco-friendly networks for healthy fashionable goods), com início em 2010, ambos com a participação do INESC Porto. Mais concretamente, o CORENET tem como objetivo fornecer peças de vestuário e calçado funcionais e de alta qualidade, a preços aceitáveis e com compatibilidade ecológica, contemplando as necessidades de um grande número de cidadãos europeus, assim como de grupos específicos, tais como os idosos e pessoas que sofrem de obesidade ou diabetes. Desenvolvido com a parceria da Tomorrow Options, empresa spin-off do INESC Porto, este projeto europeu considera nichos sociais relevantes, oferecendo-lhes artigos “saudáveis” e personalizados.

Especial 13 Luís Carneiro

E é este o futuro – as necessidades do utilizador no centro da estratégia. Perspetiva-se para breve um novo Projeto Mobilizador do Calçado intitulado NEWALK – Materiais, Componentes e Tecnologias para Calçado do Futuro, que visa o desenvolvimento integrado e sinérgico de novos materiais, componentes funcionais e tecnologias avançadas para a criação, produção e comercialização de calçado diferenciado. Neste projeto o INESC Porto, em parceria com a empresa Flowmat, irá conceber abordagens e sistemas para melhorar os processos de receção de materiais e sua entrada em produção, em ambientes de produção de pequenas séries.

Resposta às necessidades do mercado, mais flexibilidade, intervenção nas diversas fases do fabrico de calçado e ligação entre elas, maior rapidez de produção, calçado diferenciado e costumizado: todos estes são aspetos para os quais o INESC Porto tem vindo a contribuir há quase duas décadas e que trouxeram vantagens competitivas extraordinárias para o calçado português. De acordo com Luís Carneiro, “o calçado português conseguiu alcançar maior valor acrescentado e preços mais elevados no mercado por apostar em segmentos de mercado onde a moda, a resposta rápida, a qualidade e a marca são requisitos essenciais”. Assim, produzindo em pequenas quantidades, sem nunca descurar o fator moda, conseguem-se margens elevadas. Com a participação em todos os projetos referidos e muitos outros referidos em números anteriores do BIP, o INESC Porto contribuiu para levar o calçado português a um nível de excelência destacado, sendo o calçado português, em média, já o segundo mais caro do mundo, logo a seguir ao italiano.